sexta-feira, 29 de novembro de 2013
ROTEIRO DE CAMINHOS GRIÔ - o filme
A chuva havia
passado.
Ele abriu a porta.
Saudou o dia.
Com seu copo de barro e água.
Retornou para dentro. Abriu a janela para ver como
estava a cara do tempo. Olhou pro céu. Mirou
o horizonte. Foi
até a cozinha. Trouxe
a gaiola do passarinho e a pendurou num prego na janela. Cantando a mesma música de sempre, se arrumou.
Vestiu a calça branca.
Amarrou o cordão de pano na cintura.
Calçou sua sandália de coro cru apoiando-se no banco.
Vestiu sua camisa de tecido cru. Colocou o chapéu de palha. Pendurou o alforje num lado.
Colocou dentro a muringa, o copo, o saco de tecido
velho, o lenço velho e o cachimbo. Enrolou a corda da porta num prendedor e saiu.
Queria
aproveitar o tempo perdido com toda aquela chuva que havia caído. Costumava subir o morro. Cruzar
o milharal, Atravessar o riacho e chegar a jaqueira antes das crianças. Hoje resolveu seguir por um caminho
mais longo, porem mais seguro sem correr o perigo de escorregar na lama do
morro. E ele chegou. Conhecia
o caminho do velho ancião. Aproximou-se.
Disse que queria companhia para a andança. E
caminharam juntos.
O velho falava. Ele
ouvia atento e não mudava o rumo da prosa. .O velho contava as
novidades. Ele ouvia. O velho contava das
alegrias. Ele ouvia. O velho contava das
dificuldades, como as coisas estavam mudando. Ele ouvia
tranqüilo como se tudo aquilo fosse comum. O
velho lembrou-se da infância e quando ele corria por aquelas bandas. Ele sorriu. Ele
se lembrou da infância. O
velho parou olhou o caminho. Ele disse que não havia perigo. O
velho confiou. Eles naquele momento pareciam que
já eram velhos camaradas. O velho sorriu. Segurou
num arbusto e seguiu em frente. Ele quis saber mais da vida do velho.
Um pouco mais a frente o velho apoiou-se em seu
braço.
Ele o ajudou a se aprumar. O velho falou de tudo que conhecia de tudo que
a velha memória ainda Le mostrava. Quando chegaram a uma certa distancia, notaram que algumas
bandeirolas coloridas tremulavam ao
vento, Estavam presas e penduradas em volta da velha arvore. Só
poderia ser invenção dos danados.
Apoiou-se nele. Sentou
num tronco de madeira como de costume. Pendurou
o alforje no galho de sempre. Bebeu o pouco da água da moringa que sempre
trazia na bolsa.
Retirou
de dentro do alforje um velho saquinho de pano que sempre trazia. Soprou para que a a poeira saísse.
Abriu o velho
lenço entre os pés.
Sorriu.
Seus olhos brilharam e encheu-se de lágrimas.
O acompanhante quis saber o pouco do que ali estava
registrado.
O velho passou então a lhe contar do que ali existia.
Algumas pedras coloridas.
O velho lhe contou a estória de cada uma delas.
A vermelha: aparecera em sua porta logo depois que um
raio caiu sobre um pequeno arbusto e tudo pegou fogo.
A amarela: aparecera em sua porta logo quando começou
uma forte chuva apagando o fogo e enchendo o pequeno açude.
A azul; aparecera em sua porta logo depois que o mar acalmou.
A branca; aparecera em sua porta logo depois que o
céu ficou todo limpinho.
A transparente; aparecera em sua porta logo depois
que o vento tornou tudo em volta em brisa.
A marrom; aparecera em sua porta quando a terra
tornou-se pronta para a plantação.
A verde; aparecera em sua porta logo depois que um
caçador deixara uma caça para servir de alimento.
Eles sorriram juntos.
Lá longe, uma meninada corria em direção a velha
árvore.
Aproximaram-se do velho em grande algazarra.
Ele sorriu.
O acompanhante de jornada ali já não se encontrava mais.
A criançada sentou-se em sua volta em forma de roda.
Ele acariciou a cabeça de cada uma delas.
Eram meninas e meninos.
Quase todos da mesma idade.
Todos da mesma etnia.
Cada uma lhe entregou o que trazia nas pequenas mãos.
Ele sorriu e agradeceu sabiamente.
Aquela era a boa hora de todo dia.
De se ouvir uma bela história.
Acompanhada de cantoria.
Depois da boa hora de todo dia.
Todas elas corriam para brincar.
Deixando o velho admirando o mar.
Ali ele ficava.
Até o resto do dia.
Aprendera com a natureza a não ter presa.
Não precisava mudar.
Pegou o cachimbo.
Pós o fumo e acendeu.
Pitou por várias vezes.
Aprendera com a natureza a não ter presa.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
DEPOIS DA ESCADA...
Você pode não conhecer o Bairro Antigo. Ele fica onde conta a história que aqueles que fizeram a Independência do estado, por aqui passaram, correram, lutaram, morreram e venceram.
O bairro antigo é feito de ruas, vielas, becos, escadarias, largos, estreitos e tudo que você possa imaginar. Em geral é um encanto viver aqui. E se você tem com quem conversar sobre o passado, melhor ainda.
Na subida da rua do céu para a meirelles, encontramos uma graciosa anciã. Sempre sentada no canto da varanda. Logo cedo, ela prefere tomar sol. Mais não dispensa uma boa prosa. Ai eu então me esbaldo.
Chego. Peço logo um copo com água.(afinal a escadaria é de morte). Me debruço sobre o muro da varanda e ai iniciamos o ritual de conversa.
Sem presa, não temos hora para acabar.
Sigo meu caminhar, feliz por mais um momento de aprendizado histórico.
Abraxé.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
'' QUANDO VOCÊ PENSA QUE ...''
" QUANDO VOCÊ PENSA QUE....''
Não. Pensa não. Crer que já viu de tudo. Pronto. A porra vai ralo abaixo. E ai. É nessa hora que tudo pode mudar. Para bem ou para mau. Você fica para escolher depois.
Sabemos muito bem que nem sempre as coisas acontecem como nós desejamos ou queremos. Sonhar então, nem pensar. Mesmo sabendo que quem sonha não envelhece.
Há hora pra tudo. Dizia minha vó. Até pra dizer, hoje é um daqueles dias. Ai sai de baixo. Minha vó era sábia. Penso até que havia momentos que ela fingia não entender de nada, mais compreendia tudo.
Quando eu me encontro nas rodas de conversas, volta e meia tenho que tocar no nome dela. Afinal foi com ela que aprendi a separar isso daquilo.
Vovó sabia.
Abraxé.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
'' GRIÔS de TOMÉ...''
"Eles vinham sem muita conversa, sem muito explicar, eu só sei que falavam, cheiravam...''.
Mais parecia profecia. Juro que foi só por puro acaso. Eu não sabia da tal reunião com a comunidade para discutir segurança pública.
Sei é claro, que como em qualquer localidade fora do centro, o "bicho tá pegando", lá não era diferente.
A roda já estava formada. Haviam marcado para as 08hs30. Começaram as 09hs.
Homens, mulheres, jovens e idosos. Eles e elas, vinham das mais variadas ruas, vielas etc.
Desafios e propostas de soluções, devidamente anotadas, terminamos com a propostas de continuarmos a roda de conversa em outro local, de preferência levada a cerveja.
Como de praxe, nem todos(as) foram na mesma direção. Eu, por sorte ou azar (costumo crer que nada acontece por acaso), fui levado a reboque por um grupo de mais ou menos 8 cabras. Todos idosos.
Sentamos a sombra de uma enorme amendoeira. Sob ela, mesas, cadeiras e vários isopores. Ali começamos a contasão de histórias, estórias e causos. Saiu de tudo um pouco. Piadas, causos de trabalhos e acima de tudo, histórias de vida.
Aprendi, ensinei e o mais importante daquele domingo de sol ardente, tenho certeza que começamos novas amizades com velhos amigos de jornada.
"Eles vinham sem muita conversa, sem muito explicar, eu só sei que falavam, cheiravam...''.
Mais parecia profecia. Juro que foi só por puro acaso. Eu não sabia da tal reunião com a comunidade para discutir segurança pública.
Sei é claro, que como em qualquer localidade fora do centro, o "bicho tá pegando", lá não era diferente.
A roda já estava formada. Haviam marcado para as 08hs30. Começaram as 09hs.
Homens, mulheres, jovens e idosos. Eles e elas, vinham das mais variadas ruas, vielas etc.
Desafios e propostas de soluções, devidamente anotadas, terminamos com a propostas de continuarmos a roda de conversa em outro local, de preferência levada a cerveja.
Como de praxe, nem todos(as) foram na mesma direção. Eu, por sorte ou azar (costumo crer que nada acontece por acaso), fui levado a reboque por um grupo de mais ou menos 8 cabras. Todos idosos.
Sentamos a sombra de uma enorme amendoeira. Sob ela, mesas, cadeiras e vários isopores. Ali começamos a contasão de histórias, estórias e causos. Saiu de tudo um pouco. Piadas, causos de trabalhos e acima de tudo, histórias de vida.
Aprendi, ensinei e o mais importante daquele domingo de sol ardente, tenho certeza que começamos novas amizades com velhos amigos de jornada.
A Sabedoria Popular nos ensina que, ouvir os mais velhos e os mais novos, é que aproxima novas experiências, e que tais novidades, lá na frente darão bons frutos.
Abraxé.
terça-feira, 21 de maio de 2013
OS PEQUENOS NÃO ESTÃO MAIS EM SILÊNCIO !
" Se lhe gritarem, atenda por favor.
Caso contrário, corre-se o risco de não adiantar nada tanto sacrifício. Certo?
Certíssimo.
É dessa forma que atendi ao chamado do Governo.
Há uma grande possibilidade de se instalar no Município de Simões Filho uma FM do Governo estadual.
A Outorga já está garantida pelo Governo Federal.
O IRDEB, então marca um Seminário: " Comunicação, Infância e Adolescência". No bojo, sub-temas que tem tudo a ver com a rapaziada das comunidades.
Ludicidade e Educação. O Papel da Mídia na Formação do Jovem Cidadão.
Mídia, Juventude e Periferia. Mídia, Criança e Adolescente.
Rádio, Criança e Adolescentes. Empoderamento e Protagonismo Juvenil.
Comunicação e Educação Mídia, Rádio e Educação.
Educadores, pesquisadores, Estudantes, Radialistas, Técnicos etc.
Claro, foi sentido a falta do público alvo.
Os futuros protagonistas da referida proposta.
Os Jovens e os Adolescentes.
Será de suma importância a participação deles.
Há quem diga até que sem eles não há a menor possibilidade da Rádio da certo.
Nós também. Acreditamos que ouvi-los fará toda a diferencia.
Nós entendemos que se eles abraçarem a luta, a coisa sai do papel para a prática.
Sendo num lugar que já foi descrito como o número 1 em Homicídios . Irá chegar com certeza numa ótima hora.
Vamos aguardar com expectativa.
Pode ser que esteja nascendo ali uma bela iniciativa.
Abraxé.
Caso contrário, corre-se o risco de não adiantar nada tanto sacrifício. Certo?
Certíssimo.
É dessa forma que atendi ao chamado do Governo.
Há uma grande possibilidade de se instalar no Município de Simões Filho uma FM do Governo estadual.
A Outorga já está garantida pelo Governo Federal.
O IRDEB, então marca um Seminário: " Comunicação, Infância e Adolescência". No bojo, sub-temas que tem tudo a ver com a rapaziada das comunidades.
Ludicidade e Educação. O Papel da Mídia na Formação do Jovem Cidadão.
Mídia, Juventude e Periferia. Mídia, Criança e Adolescente.
Rádio, Criança e Adolescentes. Empoderamento e Protagonismo Juvenil.
Comunicação e Educação Mídia, Rádio e Educação.
Educadores, pesquisadores, Estudantes, Radialistas, Técnicos etc.
Claro, foi sentido a falta do público alvo.
Os futuros protagonistas da referida proposta.
Os Jovens e os Adolescentes.
Será de suma importância a participação deles.
Há quem diga até que sem eles não há a menor possibilidade da Rádio da certo.
Nós também. Acreditamos que ouvi-los fará toda a diferencia.
Nós entendemos que se eles abraçarem a luta, a coisa sai do papel para a prática.
Sendo num lugar que já foi descrito como o número 1 em Homicídios . Irá chegar com certeza numa ótima hora.
Vamos aguardar com expectativa.
Pode ser que esteja nascendo ali uma bela iniciativa.
Abraxé.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
AMANHÃ EU VOU NÃO VIM
"EU JÁ TÓ RETADO MERMO". Era sempre uma confusão da porra. Bastava ele chegar um "pouquinho só" atrasado que o povão logo berrava. Ele se retava. Vai começar é? já chegava perguntando. Veio o cara usa um relógio no braço pra que porra? basta só sair uma hora mais cedo de casa ou de onde ele estivesse. Não era consenso. Ele dizia, hora que não dava tempo de se quer olhar o relógio. Hora ele dizia que nem tinha lembrado. Não lembrou de quer? de olhar o tal redondo ou de que tinha que vim de qualquer jeito? Sei lá. Não já estava ali? já tava de bom tamanho. Sei não viu. Desse jeito não tá dando. Imagine se ele tivesse outro cargo? ai já era.
Não dá pra se começar nada importante sem a porra da ata. Há tudo isso é por causa da ata? da próxima vez deixo essa merda aqui mermo. Ele logo disparava. Mais parecia o Rambo atirando para tudo quanto era lado. Bem para não dizer que não falei das tais flores. Seria bom mermo ter onde guardar a tal ata. Se bem que minha ideia sempre foi. Começar com ele ou sem ele anotando tudo num papel qualquer e depois ele que passasse a limpo para a merda da ata. Resolvido tudo. Assinamos a fomos cada um pro seu quintal.
Abraxé.
Não dá pra se começar nada importante sem a porra da ata. Há tudo isso é por causa da ata? da próxima vez deixo essa merda aqui mermo. Ele logo disparava. Mais parecia o Rambo atirando para tudo quanto era lado. Bem para não dizer que não falei das tais flores. Seria bom mermo ter onde guardar a tal ata. Se bem que minha ideia sempre foi. Começar com ele ou sem ele anotando tudo num papel qualquer e depois ele que passasse a limpo para a merda da ata. Resolvido tudo. Assinamos a fomos cada um pro seu quintal.
Abraxé.
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